A cauda do vento se enrosca longe. Até o capim que nunca tem
nenhuns pedidos, até o capim vai miserando.
Muidinga olha a paisagem e pensa. Morreu um homem que sonhava, a
terra está triste como uma viúva. Tuahir vagueia em roda procurando encontrar
um modo de regressar à estrada. O rapaz confia no entendimento que o velho tem
sobre as pedras, em seu atento ler nas folhagens. Tuahir é capaz de saudar um carreiro
onde ninguém mais descobre caminho. O mato é a sua cidade.
Agora, porém, os dois parecem vagabundear sem direcção. A fome
começa a pedir deferimento. Dia após dia, avançam num círculo, rodopeões.
Muidinga começa a desconfiar das certezas do seu guia.
- Nos perdemos, Tuahir?
- Perder? Nunca, miúdo.
Ele pensamento, fiando conversa. O que é perder-se, ao fim ao
cabo? Muita gente, acreditando ter a certeira direcção, nasce já equivocada. E
continua barateando prosa. Quem sabe desejasse só distrair o jovem, para que
ele não tomasse a sério o destino. O tempo passa, cai a noite. Os dois
viajantes se deitam no relento. O velho não alcança o sono.
- Não dorme, tio?
- Não. Desconsigo de dormir.
- É por causa do homem do rio.
- Nada. Nem lembro isso. É que sinto falta das estórias.
- Quais estórias?
- Essas que você lê nesses caderninhos. Esse fidamãe desse Kindzu
já vive quase connosco.
- Deixei os cadernos lá no machimbombo. Mas eu já li outro
caderno, mais à frente. Lhe posso contar o que diz, quase sei tudo de cabeça,
palavra por palavra.
- Fala devagarinho para eu compreender. Se adormecer, não pára. Eu
lhe ouço mesmo dormindo. [continua]
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