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Não ocorre com a felicidade e
a infelicidade o mesmo que com as trevas e a luz; uma não consiste numa
privação pura e simples da outra.
Talvez pudéssemos assegurar que a felicidade não nos é menos essencial que a existência
e o pensamento.
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Não chego a adivinhar porque o
mundo não se enjoa de ler e de nada aprender, a menos que seja pela mesma
razão pela qual há duas horas tenho a honra de te entreter, sem me entediar e
sem nada te dizer.
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E crês que ouves o lamento
como eu? Há infelizes que sabem sofrer
sem se queixar. (depoimento de um
cego)
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Eu não poderia comparar o
efeito da música senão à embriaguez que experimento quando, após uma longa
ausência, me precipito entre os braços de minha mãe, momento em que a voz me
falta , os membros tremem, as lágrimas correm, os joelhos se dobram; sinto-me
como se fosse morrer de prazer.
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Era pouco sensível aos
encantos da juventude e ficava pouco impressionada as rugas da velhice.
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Por que não existe essa
relação em mim e não vejo nada em minha cabeça sem colorir? O que é a
imaginação de um cego? (fala de um
cego por acidente)
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Numa carta os distanciamentos
são permitidos, sobretudo quando podem conduzir a perspectivas úteis.
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94
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Decomposição do homem – de
todos os sentidos, o olho era o mais superficial; o ouvido, o mais orgulhoso;
o olfato, o mais voluptuoso; o gosto, o mais supersticioso e o mais
inconstante, o tato o mais profundo e o mais filosófico.
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Eu acreditava como todos que
um poeta podia ser traduzido por
outro: é um erro... Transmitir-se-á o pensamento, talvez se terá a ventura de
encontrar o equivalente de uma expressão... mas não é tudo.
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É o conhecimento, ou melhor, o
sentimento vivo da poesia, perdida para os leitores comuns, que desencoraja
os imitadores de gênio.
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Como acontece que aquilo que
extasia nossa imaginação desagrade a nossos olhos? A bela natureza, não é,
pois, continuam eles, uma só para o pintor e para o poeta?
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Provei por meio de exemplos a
dificuldade de entender bem um poeta.
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Em qualquer língua que seja, a
obra que o gênio cria não cairá nunca.
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Nada de mais perigoso, senhor,
que fazer a crítica de uma obra que não se leu e, com maior razão, de uma
obra que só se conhece por ouvir-se dizer...
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As pessoas que não leem para
aprender ou que querem aprender sem se aplicar são precisamente aquelas que o
autor não faz questão de ter como leitores.
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154
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Há leitores que não quero nem
vou querer nuca: não escrevo senão para aqueles com quem ficaria feliz em
conversar.
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Como é difícil escrever uma
boa obra e como é fácil criticá-la; porque o autor teve que observar todos os
desafios e a crítica só tem que forçar um.
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quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Carta sobre os cegos – endereçada àqueles que enxergam, Carta sobre os surdos e mudos – endereçadas àqueles que ouvem e falam - Denis Diderot
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