Margie chegou a escrever no diário, aquela noite. Na página datada 17 de
maio de 2157, registrou: “Hoje Tommy encontrou um livro de verdade!” Era um livro
muito antigo. O avô de Margie dissera certa feita que quando ainda menino o avô
dele lhe contara que existira uma época em que todas as histórias eram escritas em
papel.
Eles foram virando as páginas que eram amareladas e sinuosas, e divertindo-se muito ao lerem palavras que ainda permaneciam, em vez de se moverem como
devia ser — sobre uma tela, está claro. E então, ao voltarem para a página anterior,
a mesma continha aquelas palavras que ali haviam lido pela primeira vez.
— Puxa — disse Tommy — que desperdício. Quando você acabar com o livro
pode jogar fora, quem sabe? Nossa tela de televisão deve ter um milhão de livros
nela, e continua pronta para muitos outros.
— Eu não jogaria a tela fora.
— O mesmo com a minha — disse Margie, que tinha onze anos de idade e
ainda não vira tantos telelivros quanto Tommy. Ele estava com doze anos.
Ela perguntou:
— Onde foi que você achou isso?
— Em minha casa — e o menino apontou sem olhar, porque estava ocupado,
lendo.
— No sótão.
— E de que trata o livro?
— De escola.
Margie encheu-se de desdém.